Ibovespa sobe 27,75% em 2026 e dólar fecha abaixo de R$ 5 após o 1º turno
Economia · 07/10/2026 · Por Victor Bueno
Bolsa renovou máxima histórica, o real ganhou força com a leitura de menor risco político e o euro recua cerca de 13% no ano. O que isso muda para o investidor de imóveis.
O mercado brasileiro chega a outubro de 2026 com números de ano forte. Na terça-feira, 6 de outubro, o Ibovespa fechou em 205.835 pontos, com alta acumulada de 27,75% no ano, segundo InfoMoney e Agência Brasil. Na véspera, o índice havia subido quase 8% e tocado a máxima histórica intradiária de 209.605 pontos. O dólar comercial encerrou o dia 6 em cerca de R$ 4,97, abaixo de R$ 5 pela primeira vez desde maio, e acumula queda de 9,37% em 2026. Para comparação, o Ibovespa terminou 2025 em 161.125 pontos e o dólar, em R$ 5,49.
O euro recuou ainda mais. Pela taxa PTAX do Banco Central, a moeda europeia valia R$ 5,60 em 6 de outubro, ante R$ 6,47 no último dia útil de 2025, uma queda de aproximadamente 13,5% no ano, conforme cálculo sobre a série oficial. Na mesma base, a PTAX do dólar passou de R$ 5,50 para R$ 4,97. Ou seja, o real se valorizou tanto contra o dólar quanto contra o euro, e o euro também perdeu terreno frente à moeda americana no período.
O gatilho mais recente foi o primeiro turno da eleição presidencial, em 4 de outubro. Flávio Bolsonaro (PL) terminou à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 47,1% contra 45,1% dos votos válidos, de acordo com a Exame; os dois disputam o segundo turno em 25 de outubro. Na segunda-feira (5), o dólar caiu 4,12%, para R$ 5,0022, e os juros futuros longos recuaram mais de 130 pontos-base, com o DI para janeiro de 2035 a 12,8%, segundo a CNN Brasil. Analistas atribuíram o movimento à redução do prêmio de risco e a expectativas mais favoráveis para a trajetória da dívida pública. Houve também ressalvas: para parte do mercado, o que mudou foi a percepção de risco político, não os fundamentos, e o segundo turno pode alterar esse quadro.
Os juros formam o pano de fundo. O Banco Central começou 2026 com a Selic em 15% e fez cinco cortes seguidos de 0,25 ponto desde março; a decisão de 16 de setembro levou a taxa a 13,75% ao ano. No comunicado, o Copom citou moderação gradual da atividade, mercado de trabalho ainda aquecido e um ambiente externo incerto, com conflitos no Oriente Médio. Mesmo em queda, o juro brasileiro segue elevado, o que sustenta o interesse do capital estrangeiro pela renda fixa local e ajuda a explicar a força do real. No Boletim Focus de 14 de setembro, o mercado projetava a Selic em 13,75% no fim de 2026 e o dólar em R$ 5,20, nível que a moeda já furou.
O fluxo externo reforçou a bolsa. Até o início de setembro, investidores estrangeiros acumulavam saldo positivo de R$ 22,2 bilhões na B3 em 2026, segundo o InfoMoney, em um movimento associado à expectativa de juros menores em 2027, ao chamado 'trade eleitoral' e à alta das commodities. No exterior, o S&P 500 renovou recorde em 6 de outubro e o petróleo Brent rondava US$ 100 por barril. Bancos estrangeiros falam em dólar entre R$ 4,80 e R$ 4,95 nas próximas semanas, mas a trajetória depende do resultado do segundo turno, da política fiscal a partir de 2027, dos juros nos Estados Unidos e do preço das commodities.
Para quem investe em imóveis, o câmbio pesa por três canais. O primeiro é o comprador estrangeiro ou o brasileiro com renda em dólar ou euro: com o real mais forte, o mesmo imóvel fica mais caro na moeda dele. A conta é direta: com o dólar indo de R$ 5,49 para R$ 4,97, um imóvel com preço estável em reais encarece cerca de 10% em dólares. O segundo é o custo de obra: itens importados ou cotados em moeda estrangeira, como parte dos metais, equipamentos e sistemas de automação, além de insumos ligados a commodities, tendem a ficar menos pressionados quando o real se valoriza, ainda que o repasse aos preços leve meses. O terceiro é a dolarização de patrimônio: quem deseja manter parte da reserva em moeda forte encontra hoje o dólar cerca de 9% mais barato do que em janeiro.
Em Goiânia, o efeito é cruzado. Investidores que acumularam ganhos em ações em 2026 têm margem para realizar parte do lucro e diversificar em ativo real, enquanto quem tem renda atrelada à exportação, como produtores do agronegócio, recebe menos reais por dólar vendido. A queda dos juros futuros após o primeiro turno, se mantida, tende a baratear o crédito e a dar mais previsibilidade a lançamentos e decisões de compra. Até o segundo turno, porém, a volatilidade deve continuar alta, o que recomenda negociar com base em valor do imóvel, e não em cotação de um único dia.
Números
- Ibovespa (fechamento 06/10): 205.835 pontos, +27,75% no ano (InfoMoney / Agência Brasil, out/2026)
- Máxima histórica intradiária do Ibovespa: 209.605 pontos (05/10) (CNN Brasil, out/2026)
- Dólar comercial (06/10): R$ 4,975, -9,37% no ano (Agência Brasil, out/2026)
- Euro PTAX (06/10): R$ 5,5975, cerca de -13,5% no ano (Banco Central (SGS, série 21619), out/2026)
- Selic: 13,75% ao ano (Banco Central / Copom, set/2026)
Leitura Victor Bueno
Real mais forte e bolsa em máxima não mudam o valor de um bom imóvel em Goiânia, mas mudam quem está comprando e com que dinheiro. Para o investidor que lucrou em ações, este é um momento racional para transferir parte do ganho para um ativo real, com escritura e renda. Para quem vende para comprador com renda em dólar, o imóvel ficou cerca de 10% mais caro na moeda dele, o que pede argumento de valor mais sólido. E para quem compra na planta, juros futuros em queda e câmbio menos pressionado são notícias favoráveis ao custo de obra. Até 25 de outubro, a melhor postura é decidir pelo ativo, não pela manchete do dia.
Fontes
- Agência Brasil · Dólar fecha abaixo de R$ 5 pela primeira vez desde maio (06/10/2026)
- InfoMoney · Ibovespa recua após forte alta, mas segue acima de 200 mil; dólar fica abaixo de R$ 5 (06/10/2026)
- CNN Brasil · Ibovespa renova máxima histórica e dólar fecha em R$ 5 após 1º turno (05/10/2026)
- Agência Brasil · Dólar cai a R$ 5, e bolsa sobe quase 8% após primeiro turno (05/10/2026)
- Exame · Dólar desaba 4,5% e fica abaixo de R$ 5 após resultado do 1º turno da eleição (05/10/2026)
- Banco Central do Brasil (SGS) · Séries 1 (dólar PTAX venda), 21619 (euro PTAX venda) e 432 (meta Selic) (06/10/2026)
- Money Times · O que mudou no comunicado do Copom de setembro (16/09/2026)
- Bora Investir (B3) · Focus: mercado projeta corte da Selic para 13,75%; boletim reduz expectativa de inflação mais uma vez (14/09/2026)
- InfoMoney · Quem está por trás da alta da Bolsa? Estrangeiro volta às compras em setembro (08/09/2026)
- Forbes Brasil · Dólar desaba após 1º turno: até onde a moeda pode cair? (05/10/2026)
- Forbes Brasil · Ibovespa fecha o último pregão do ano em alta de 0,4%, a 161.125,37 pontos, e termina 2025 com ganho de 33,95% (30/12/2025)
Conteúdo informativo; não é recomendação de investimento.
Victor Bueno · Corretor de Imóveis de Alto Luxo · CRECI 22006 · Sócio da HAUT Imóveis · Goiânia-GO · no mercado desde 2011. Atendimento sob medida, curadoria estética e técnica, discrição e embasamento. WhatsApp (62) 99222-0811. HAUT Imóveis: Alameda Ricardo Paranhos com Rua 135, 190, Setor Marista · 62 3121-8585.

